já faz muito tempo. não sei se lembro bem como chegamos em Blumenau. qual foi a dinâmica de nossas caronas. vou pular essa parte, pra não correr o risco de mentir (mais).
venho do nordeste, cuspindo empáfia de sertanejo, dizendo que já passei por cidades cuja temperatura não só era desumana como era diabólica. acho que os nordestinos somos, muitas vezes, intoxicados pela visão do sul e do sudeste. e, por mais que eu tente afastar o clichês da Globo dos meus relatos de vivência do nordeste, muitas vezes eles aparecem. acho que só me dei conta disso recentemente.
mas, bom, voltando às temperaturas: uma grande amiga já tinha avisado que Blumenau era praticamente inabitável no verão. no alto verão. muitos de vocês já devem ter ouvido ou lido isso. mas se você não foi a Blumenau no verão, interprete essas notícias como conto de fadas, perto do calor que domina aquela cidade.
chegamos estafados, esfomeados e enjoados, da estrada, um do outro. a cidade não nos recebeu muito bem. é difícil tentar achar um lugar pra comer ao mesmo tempo em que você procura uma maneira de respirar confortavelmente em meio àquele mormaço.
demorei um dia pra me habituar à sensação inédita de calor. mas me acostumei e consegui, muitas vezes, abstrair tudo aquilo. o motivo da fácil abstração, dentre outros, foi a diversão.
fomos a Blumenau por um único motivo: encontrar Isa, a grande amiga citada acima. óbvio, a cidade é famosa por um conjunto de coisas, mas, sinceramente? nunca me importei o suficiente com esse conjunto. queria ver Isa. vi.
fomos recebidos e acolhidos nos dois primeiros dias por uma amiga de Raphael que, gentilmente, nos convidou pra ficar na casa dela todos os dias. ficamos dois, pois já tínhamos um compromisso com um host do CS. mas ficamos muito agradecidos pela gentileza de Ellen e de seus pais, que nos receberam de portas abertas. partimos pro nosso host. depois da amarga experiência curitibana, merecíamos um host decente em Blumenau. e, graças a Moz, fomos atendidos.
ficamos hospedados com Felipe e Franz, dois irmãos que nos receberam como se também fôssemos. de repente, aquela cidade quente e desconfortável ficou pra trás. Blumenau é divertida, olhe só. fiquei muito feliz em ter tido os dois como hosts. acho que poucas pessoas entendem bem o espírito do CS. estão aí dois membros deste seleto grupo.
já acomodado na nova faceta da cidade, era hora de executar o plano inicial. já tínhamos encontrado brevemente com Isa no primeiro dia, mas foi no fim de semana que pudemos sentar, conversar, comer e… comer um pouco mais. Isa e Luiz, seu companheiro, (e mais dois amigos que eu acredito que foram estrategicamente selecionados pra causar boa impressão [deu certo]) são pessoas incríveis. a conexão que tive com Isa foi ainda maior do que eu imaginei. podíamos passar dias lembrando de quando brincávamos juntos na infância. mesmo isso nunca tendo acontecido. Luiz, além de também ser nordestino (eu tava com saudade do sotaque, confesso), gosta das mesmas coisas que eu e, por alguns momentos, eu não sabia direito com qual dos dois conversar, dada a genteboazice do casal. bendita hora que Raphael e eu traçamos Blumenau no mapa da viagem. me orgulho da decisão. =)
saí de lá com novos vizinhos. moramos a poucas horas de distância. não existe razão para não nos visitarmos, eventualmente. pode ter certeza que isso vai acontecer.
no último dia eu já tinha esquecido do calor, da chuva torrencial que nos pegou em um dos dias, e do cansaço da chegada. era só sorrisos. eu estava feliz pelo rumo que a viagem tinha tomado e não tinha tanto medo de pensar que talvez, para mim, aquele fosse o começo do fim do rolê. o clima de despedida já começava a aparecer, mesmo antes de eu saber que estava me despedindo.
beijos.
sempre me falaram, inclusive Raphael, que pegar carona pra chegar e pra sair de Sampa não era tarefa simples. como chegamos na cidade com uma certa facilidade, achei que teríamos a mesma sorte na saída. não sei nem se tenho saco ou vontade de ficar lembrando do grande revés que foi a nossa viagem até Curitiba.
saí de São Paulo com um a saudade se amontoando por cima dela mesma, como em um ninho de ratos. trouxe um pouco de São José dos Campos e mais um tanto de Campinas, pra formar a trinca com a que, certamente, levaria de São Paulo. Curitiba entrou no nosso roteiro pelo mesmo motivo que Paraty: queríamos checar de perto toda a fama. Paraty foi uma grande decepção, mas talvez nem seja culpa dela. o que esperar de Curitiba?
depois de passar por duas outras cidades vizinhas à capital, paramos em Itapecerica da Serra, pra gastar mais um pouco de sorte e de paciência. se não me engano, foram quatro horas de espera, até que conseguimos pegar o a primeira carona. Cléberson, humano lá do norte do Paraná, estava voltando pra Curitiba e nos garantiu uma carona até, pelo menos, Registro, meio do caminho da nossa viagem. só não nos levaria até o Paraná porque ia fazer uma pequena pausa sexual em Registro e só sairia de lá no fim do dia. bom, já era alguma coisa. descemos em Registro e gastamos o dedo, em pé, a pele, ao sol escaldante, e as pernas, sustentando as mochilas cada vez mais cansativas. suados, com fome e cansados, talvez não fôssemos as figuras mais bem aprumadas pra uma carona de sorte, no meio daquela tarde. Cléberson havia nos garantido uma carona até Curitiba depois do descanso dele, caso a gente não conseguisse. não conseguimos, fomos ao encontro do caminhoneiro, que encontramos em um restaurante de posto de gasolina, comendo batata frita com sua namorada registrense, filha da prefeita, segundo ele. não duvido. partimos pra Curitiba depois de mais algumas horas de espera, enquanto sentávamos nas mochilas, Cléberson se trancava no caminhão com a senhorita. algumas horas de chá de cadeira, partimos, numa viagem que, entre cochilos meus e cochilos do motorista, venceu a sorte, no fim das contas.
dois dias rápidos em Curitiba, sem planos certos. não gostamos de nosso host. não sei se ele gostou da gente. sei que ele não trocou meia dúzia de palavras conosco e nos deu 3 ou 4 respostas curtas e hostis, quando perguntado sobre algumas coisas. preferimos ficar na rua, comer, andar e conhecer a tão falada cidade modelo. modelo deve ser, é bonita, bem estruturada, as coisas parecem funcionar. mas é uma cidade como qualquer outra. alguns de seus moradores não entendem a fama. acho que eu os entendo.
conhecemos Anderson, amigo de amigos, companhia mais que agradável no primeiro dia de passeio pela cidade. nos apresentou comidas, lugares e pessoas. pena que não nos reencontramos no segundo dia, o último. mantivemos nosso plano, o de fugir do host e se jogar na cidade. o que fizemos nos dia seguinte foi, praticamente replicar o primeiro, mas sem Anderson e com um bônus de Jardim Botânico. fechamos nossa passagem por Curitiba com um grande cachorro-quente vegano e com muita conversa boa, com gente boa, numa cidade boa. merecida fama.
beijo.
todo o mau humor do mundo, respingando junto com a chuva que caía naquela segunda-feira esquisita. pedir carona na chuva é uma experiência de vida notável. se você conseguir uma boa carona, considere-se abençoado. somos. fomos.
nos despedimos tristemente de Renata, que nos levou até a cidade vizinha, onde pudemos tentar a sorte. meia hora de espera e Rogério para, olha e nos chama. perguntou onde a gente ia ficar em Sampa. não importa, cara. pode nos largar em um ponto de ônibus, a gente se vira. foi o que aconteceu. descemos em Pinheiros, no primeiro dia de uma semana incrível, como poucas.
São Paulo tinha me deixado enamorado, em 2008. saí de lá com um sorriso que não cabia no rosto. planejava voltar desde então, com tempo, com planos. voltei, com tempo, mas nem tanto. com planos, vagos.
chegar na casa de amigas e ser recebido por um bilhete super carinhoso e preocupado era o bom presságio que eu precisava, pra ter certeza do absolut win que seria aquela semana. peço logo que interprete tudo o que eu falar, como se fosse umas 10x mais fantástico. só não já escrevo nesta escala para não parecer piegas ou exagerado.
quando você é turista, Sampa dá sem pedir nada em troca. não tinha obrigações, nem horários a cumprir. por isso, saí andando. sozinho, acompanhado, muito bem acompanhado. fico em êxtase em lembrar das boas caminhadas que dei em São Paulo, pra comer, pra ver show, pra encontrar pessoas queridas, pra continuar caminhando. a companhia de Dani, Iô e Paola (sim, ela de novo, em sua última bela incursão no meu rolê) me fez tão bem, nestes dias, que eu não os vi passando. estava tão em casa, em Sampa, que já me infiltrava na cidade. não era mais um turista perdido. não cheguei a ser um paulistano apressado, no entanto. ainda bem. prefiro permanecer no meio termo e continuar calmo, atravessando a rua no meu próprio ritmo e esbarrando nas pessoas que eu quero esbarrar.
continuei caminhando. e, depois de um ano e meio conhecendo apenas sua letra e um pouco de sua voz, encontrei com Tati. não sei se estava viciado no ritmo ou se me deixei levar por seu sangue paulistano, afinal, não sei quem deu a idéia, mas continuamos caminhando. percorremos São Paulo em dois dias, lamentamos pela correria alheia e nos recusamos a correr, não tínhamos pressa, apesar do tempo limitado. não sei se a cansei falando sobre filmes. sei que ela não me cansou em nada. cansaço? nem lembrei que ele existia. não tinha espaço pra ele. sorri como poucas vezes sorri e me entristeci como há algum tempo não me entristecia, ao me despedir. e, quase sem dar tempo pro banzo, lembrei que nos encontraremos de novo, não sei quando, só sei. e voltei a sorrir.
abracei mais um pouco as amigas, encontrei com Deh, uma delas, uma das mais divertidas. ela nos levou pra respirar um pouco mais de cultura paulistana (isso é clichê que se diga, Breno?) e nos acompanhou pela cidade, em um sábado com clima de despedida. tivemos pouco tempo, mas nos divertimos, como eu sabia que me divertiria.
me despedi de Sampa com muita saudade de tudo e de todos. sei que não teria mais dias como aqueles, já ia sofrendo com essa idéia, mas não me deixei abater, continuei. continuarei. e não consigo mais lembrar a cara daquele mau humor. que bom.
beijo.
tentei comprar o silêncio de Raphael, que não parava de cantar, já nas primeiras horas da manhã. não tive sucesso. achei que era prenúncio de um dia infrutífero. felizmente, eu estava errado.
depois de pegar um ônibus para Jacareí, paramos em um posto da PRF, com a plaquinha “Campinas”. alguns minutos de espera e Baiano para seu caminhão azul (azul? enfim…) e nos dá uma carona tão divertida, que nem vi o tempo passar. quando percebi, já estávamos no trevo de Valinhos.
antes disso Baiano nos falou sobre sua vida na estrada, sobre os ricos e seus jet skis, sobre a morte de seu pai e sobre a vontade que tem de encarar de frente o que matou o velho. não me pareceu pose, aquele jovem senhor de Feira de Santana não parecia estar de brincadeira.
ficamos no trevo citado, onde, alguns minutos depois, encontramos Renata, que foi nos buscar de carro, junto com Rodrigo, seu companheiro, pra nos levar para dar uma volta por Campinas e nos mostrar um pouco da rotina montanha-russa que a acomete em dias mais corridos. não fiquei assustado com a correria. não estava tão cansado como nas outras viagens e estava tendo a oportunidade de ver de perto parte da rotina da qual ela sempre nos falava com um misto de pesar e entusiasmo.
depois deste primeiro dia corrido, com muita comida boa, muita conversa divertida, atravessada, atrasada, e uma visita a um estúdio de tv, de onde pudemos ver o veganismo sendo colocado em prática em tempo real, chocando a família brasileira, apagamos e nos recarregamos pra uma das semanas mais legais da viagem. não só da viagem. seria muito pouco.
sete dias que poderiam durar setenta. Renata e Rodrigo são tão gentis como eu imaginei que seriam. ainda mais, se brincar. fomos muito bem recebidos e, durante estes dias, ficamos num estado de anestesia. poucas vezes me diverti tanto. cantei tanto no karaokê, comi tanto e conversei tanta conversa boa. nunca joguei conversas fora com tanto prazer. espero que as besteiras que falei estejam compostando por lá. ou que tenham sido enterradas por Angie e Espoleta, as cadelas gêmeas, ou escondidas em algum canto escuro por Pachá, o gato esguio.
conhecemos Campinas dos dois lados da janela do carro. Campinas passando rápido, Campinas bem devagar. conhecemos muita gente bonita, gente mais bonita ainda. encontrei com amigos muito queridos, de novo, pela primeira vez. Fábio continua o mesmo poço de camaradagem de 2008. incrível, vocês não têm idéia. ou têm. Roberta é um 3-hit-combo de encanto. não sei se ela sabe quanto eu gostei de encontra-la. gostei imensamente.
agora ela sabe.
poderia falar aqui de todo mundo que eu conheci, mas não vou. não insistam. me faltam adjetivos.
Campinas e Valinhos conseguiram zerar meu cansaço, algumas frustrações e muitas preocupações. quero voltar logo e abraçar todo mundo de novo. que saudade, bicho.
beijo.
depois de esperar quase três horas por uma carona, na divisa entre Paraty e Ubatuba, já estava prestes a entregar os pontos e pegar o primeiro ônibus que fosse pro centro da cidade. muita dor nas costas, nas pernas e com muito calor, por carregar as mochilas o tempo todo (estratégia de carona). pensava justamente na frustração de não termos conseguido nada, quando um carrinho branco parou bruscamente no acostamento e acenou pra gente. conseguimos uma boa carona até São José dos Campos, com um cara que, a cada pergunta que nos fazia, aumentava mais um pouco o som do rap que tocava no player. era Emicida, não achei ruim. :)
missão em São José: encontrar duas amigas queridas e não desgrudar delas um minuto sequer. foi o que fiz. ficamos hospedados com Érico, um cara super gente fina que nos recebeu maravilhosamente e foi nosso guia pela cidade durante estes dias. Biba, amiga de internet, é real. e realmente divertida. desde o dia de nossa chegada, ela esteve com gente na maioria dos programas pela cidade e nos mostrou muita coisa legal em SJC, um lugar que lembra muito Aracaju e que me dava uma sensação boa quando saia pra caminhar. não achei que ia me relacionar tão bem com a cidade. foi mais do que bem, eu diria.
pra completar a sensação de pertencimento, encontrei mais uma vez com Paola, em sua segunda incursão de sucesso no meu roteiro de viagem. matei a saudade mais uma vez e conheci Pavla, a prima-irmã. a sintonia das duas é assustadora. tentei acompanhar, mas não conseguia. achei que tinha muita sintonia com Paola, mas aprendi com Pavla que me falta aprender muito. prestei bem atenção às duas. cuidadosamente. Paola continuou me encantando e me divertindo. Pavla fez o mesmo, pela primeira vez. tenho saudades da prima-polaca, nos divertimos muito. levei mais um pouquinho de saudade da cabrita, nos divertimos sempre. mas ela volta, vocês vão ver.
saí de SJC com aquele gostinho de que poderia ficar mais um ou outro dia. mas temos um cronograma. não vou subvertê-lo. acho. e, seguindo a ordem, fomos para a pantagruélica Campinas. fico feliz só em lembrar, por isso eu volto e conto tudo. até já.
beijo.
num coletivo, saímos da Central do Brasil direto pra Itaguaí, um ponto estratégico pra conseguir uma boa carona até Paraty. fácil: 20 minutos depois de sermos deixados no primeiro posto da PRF, por uma Kombi à serviço de uma churrascaria, conseguimos a primeira carona com Lima, um tiozinho usineiro, indo pra Angra dos Reis e disposto a nos deixar em um ponto de constante parada de caminhões e carros. o paraibano Lima ia escutando um forró nervoso, que misturava letras machistas, especistas e (pasmem!) quase abolicionistas. no caminho, ensaiei um ou outro cochilo, acordei Raphael de algumas de suas pescadas. afinal, quem vai na frente está proibido de dormir. carona não é hotel. Lima falou muito sobre as chuvas e sobre as ilhas de famosos na região de Angra. acho que vimos a de Gugu. acho.
chegamos em Paraty, levados pela sorte de uma carona rápida, proporcionada por uma bióloga adventista ex-caroneira, que se sensibilizou com nossas caras fofas. não lembro o nome dela, mas lembro que ela falava sobre temas ambientalistas com muito amor. prestei atenção em cada detalhe. no final, ela nos entregou um panfleto sobre a volta do mr. Jesus. fingi interesse, guardei o panfleto e segui em heresia.
já contei tanto a história de Paraty que já tô começando a esquecê-la. vamos ver…
fomos recebidos por um host gente fina, estávamos empolgados com a cidade. empolgação que durou menos de uma hora. em nossa primeira visita à praia, a chuva nos alcançou e nos ilhou por umas 2 horas, sem dó. voltamos cansados e decidimos ir descansar na casa de nosso host. a casa era no meio do mato, embrenhada, separada do mundo real por uma cachoeira. um paraíso. not.
depois de esperar na chuva por quase uma hora, tivemos que fazer uma trilha esquisitíssima até a entrada de sua casa. chegando lá, nos depararmos com nossa primeira cocó: uma ponte tripla, escorregadia, passando por cima de um rio violentamente caudaloso. e o pior: em um breu inacreditável. sem titubear, passei, levado por uma coragem inédita, a primeira ponte de bambu e as duas pontes seguintes de 60 centímetros de largura, cada. Raphael não se empolgou com minha coragem e empacou, passando alguns minutos depois.
após a travessia arriscada, chegamos à casa de nosso host, sabendo que não ficaríamos além desta noite. o lugar não oferecia condição alguma para que chegássemos lá sozinhos. e ainda ficava a uns 7km da cidade, com um acesso difícil e demorado. Raphael e eu apenas nos entreolhamos e estava decidido, não ficaríamos.
tentei, durante umas 2 horas, amenizar a raiva e contornar o desconforto. conversei com nosso host durante um tempo, mas me estressei ao ver que meu companheiro de viagem ficou de birra, de cara fechada e não colaborou com meu plano de apaziguamento. inventei uma desculpa e expliquei ao anfitrião que não ficaríamos. ele, gentilmente, entendeu.
saímos cedo do outro dia, não sem antes perdermos o primeiro ônibus, por conta de uma patologia de meu parceiro de viagem: o atrasismo agudo. pegamos ônibus, discutimos relação, não guardei nada (nunca guardo) e demonstrei meu descontentamento com sua birra. ficou tudo bem, seguimos. couch garantido em São José dos Campos e amigas esperando por nossa visita. de dedos cruzados, partimos pra divisa entre Paraty e Ubatuba, nosso ponto estratégico de carona.
e lá esperamos. bastante. esperem um pouco que eu volto e conto.
beijo.
pegamos nossa primeira carona. mas nada de dedão pra cima e plaquinha. não ainda. conseguimos carona com um transporte da prefeitura, que leva os doentes pra capital. chegamos no Rio sabendo pra onde ir. fomos encontrar uma amiga de Raphael. Carol nos recebeu, nos deixou à vontade e me possibilitou algumas das melhores conversas sobre veganismo que eu poderia ter. ficamos 3 dias hospedado em sua casa, entramos com o pé direito na estrada. neste tempo, fiz questão de conhecer o restante do pessoal vegano mais ativo da cidade e me encantei, repetidamente, com cada um deles.
mudamos de host no meio do rolê Rio. fomos pra casa de Caio, outro amigo de Raphael, que nos recebeu muito bem em seu apartamento minúsculo, mas aconchegante. a man cave, a nerd cave em Copacabana, um refúgio de todo aquele caos de fim de ano, no olho do furacão.
apesar de ter conhecido algumas pessoas legais nos eventos do CouchSurfing, destaque pra Jan, um simpático belga, fã de futebol e maluco pela América do Sul, preferi topar um programa alternativo e passar a virada do ano com alguns veganos em uma casa em Niterói. inesquecível.
a casa é de Carmen, uma das pessoas encantadoras que conheci na semana anterior. não precisaria ter sido 31 de dezembro, não precisaria de festa divertida, de celebração ou de boa (fantástica) comida. aquelas 24 horas foram inacreditáveis, por outros motivos. impossível ter o tipo de interação que tive neste ínterim e não achar isso. poderia passar dias sentado à beira da piscina, falando sobre qualquer assunto que surgisse. qualquer assunto, eu disse. saí de lá com a sensação de que não deveria. saí do Rio sentindo o mesmo.
pé direito, lembram? pois é, foi um ótimo começo. não tiraria um detalhe sequer. fico lembrando e sorrindo.
volto com uma Paraty-relâmpago(s) e com a primeira cocó, precoce.
beijo.
depois de passar alguns dias de maloqueiragem na Mia Wallace’s bombation house, me despedi dos amigos e segui pro Rio de Janeiro, pra cidadezinha de Macuco, para ser mais específico.
deixei Floripa se curtindo sozinha com seu frio de 16º (sim, pra mim isso é MUITO incômodo. [não, não faça o comentário “você não viu nada… coisa é quando chegar o inverno”, porque eu sei que o inverno lá é frio]). depois de “dormir” no aeroporto, dei graças ao bom Morrissey, por ser a hora do meu embarque. ok, minha felicidade só durou até o momento em que o piloto anunciou que Curitiba, minha bela e sexy conexão de 3 horas, estava com 10fuckingº. entre Floripa e o Rio, eu tive uma diferença de mais de 20 graus. achei que não ia aguentar essa mudança. aguentei, mas fiquei de banzo o dia todo, com uma sensação esquisita de cansaço.
depois de sentir aquele calor AMIGO, segui pra Nova Friburgo, onde finalmente conheci pessoalmente Raphael, meu parceiro de viagem. e de quebra ainda conheci sua namorada e um amigo da faculdade.
não lembro bem de Friburgo, estava cansado demais pra assimilar qualquer coisa. portanto, passemos pro resto do rolê-Rio.
Macuco é uma cidade MUITO pequena. e de hábitos universais das cidades pequenas. os quase 15 dias que passei lá foram regados a discussões esquisitas, a conversas de mesa de bar à mesa de casa, muito calor e uma chuva chata. existe a lenda de que onde um aracajuano vai, ele leva a chuva a tiracolo. maldito cacique Serigy. ¬¬
o tédio desses dias só não imperou quando eu tinha a possibilidade de ir ao centro, pra ficar a tarde (ou a noite) conversando com Diego e Pablo, dois amigos de Raphael que, deslocados do provincianismo, se refugiam atrás da fumaça do cachimbo, dos discos de Erasmo Carlos e Caetano Veloso, dos quadrinhos e da organização constante dos mesmos. não sei se teria aguentado 15 dias de Macuco se não fossem eles dois. provavelmente sim, mas, com certeza, não teria dado tanta risada.
não sei se agi como bom ouvinte, com psicólogo, como ditador ou como todos estes juntos, mas sei que, em 15 dias, ouvi muita história boa, ri de todas elas, vi algumas atitudes injustas, me insurgi contra elas, e tive a cara de pau de tentar dar lição de moral. trouxa quem engoliu.
parti pro Rio sem saudades de Macuco, a não ser daquela mesa, da fumaça e de Erasmo. parti com Raphael.
eu já estava bastante mudado, um mês e meio havia feito uma grande diferença. já Raphael, bom… acho que ele ainda está(va) muito verde. mas está amadurecendo, a estrada é nova pra nós e a vida fora de casa é nova pra ele. não sou nenhum sábio, mas sei exatamente onde os meus calos e os das pessoas doem. espero que, no fim desta viagem, ele saiba identifica-los e contorna-los de olhos fechados.
volto com o Rio, a capital. com (mais) gente nova. e com as caronas. juro.
beijo.
não faria sentido contar detalhadamente tudo o que passei nesses mais de 60 dias longe de “casa”. mas faz algum sentido contar os highlights desta nova aventura.
cheguei em Floripa com um plano: passar no mestrado em Filosofia da UFSC. estudei muito (bom, nem tanto) antes de sair de Aracaju. estudei bastante (põe bastante nisso) quando cheguei na ilha. e consegui passar. ufa. viajar tranquilo, sem o peso de não saber o que iria fazer depois de março, era tudo o que eu estava precisando.
Floripa é uma cidade fantástica, em muitos sentidos. passei mais de um mês por lá, me apaixonando diariamente por cada mínimo aspecto da cidade. pessoas são pessoas, em qualquer lugar. o foco não era nelas. Floripa não permite que você tire os olhos dela. a cada volta pra casa, no entardecer, passando pela Lagoa da Conceição, até chegar na Barra da Lagoa, eu tinha mais certeza de que era daquela cidade que eu estava precisando. mesmo estudando feito um condenado, nunca me senti tão relaxado como neste primeiro mês de viagem.
fiquei hospedado na casa de um primo, que se preocupou em me mostrar o que eu precisava conhecer da região e me ensinar o que eu precisava saber pra não ficar perdido em meio àquele caos, que poucos imaginam que, de fato, exista. Floripa é caótica, mas ela se esforça o tempo todo pra compensar esse descontrole. e só isso já é novidade pra mim, pra qualquer aracajuano, acredito.
depois de alguns dias já não estava mais preso à ciceronia (?) de meu primo e já rodava pela cidade sozinho, munido de um celular com um humilde acesso à internet, que tem sido muito útil no rolê, e uma visão atenta, para não (me) perder (n)os pontos.
acho que rodei muito mais do que muitos moradores da ilha. conheci algumas praias legais, a maioria inacreditável. encontrei com uma amiga querida, com seus amigos queridos. depois do resultado da seleção, me dei férias, saí muito, dormi fora e tomei muito banho de mar. precisava deste descanso, precisava dar uns mergulhos, precisava fazer yoga na praia. ainda preciso, em qualquer lugar.
sinto falta dos dias divertidos com Paola, a cabrita de Osasco. sinto falta do humor único de Sílvia, Diego, Luigi e Arianne. fico feliz em saber que devo encontra-los em breve. que podemos ser vizinhos. a cabrita ainda não cumpriu sua missão em minha viagem, mas isso é assunto pra depois.
fiquei do dia 8 de novembro ao dia 14 de dezembro na ilha. parti de lá pro estado do Rio de Janeiro, vocês vão saber o motivo em breve. quem já sabe, não estrague a surpresa.
sinto falta dos meus amigos em Aracaju. eles sabem disso. finjo que não sinto e eles fingem que não sabem.
volto já com mais. se der, eu posto fotos. se não der, vocês vão ter que acreditar em mim.
beijo.
bom, estou há exatos dois meses na estrada. neste tempo, já aprendi tanto sobre mim e sobre os outros, que poderia encerrar este tumblr no primeiro post e começar a escrever um livro ou dar palestras (des)motivacionais. não vou.
falo diretamente de São José dos Campos, uma cidade encantadora do Vale do Paraíba. mas antes de chegar aqui, muita coisa aconteceu. conheci muita gente bacana e muita gente não bacana. comi muita comida boa e muita porcaria. ensaiei ligar alguns “foda-se” e liguei muitos, quando precisei. mas, o mais importante, encarei (e continuarei encarando) a estrada olhando no fundo do olho. sem piscar.
vou contar algumas dessas experiências aqui. não sei se com frequência, não sei com que frequência.
Rapha, meu parceiro de viagem, já está adiantando a versão dele lá no Viajar de Carona. não vou dividir o espaço com ele, porque o site faz parte de um projeto pessoal dele. mas vou contar o que der, do meu jeitinho, aqui no tumblr.
por que um tumblr? porque sim.
um beijo. fiquem com morrissey e cuidado onde pisam, sempre.